Mesmo com 322 novos templos inaugurados em Portugal, o número de igrejas evangélicas despencou no ano de 2000 eram 1630 e no ano passado a conta fechou com apenas 964 templos.  Os dados, originários de uma pesquisa realizada pelo Conselho Missionário da Aliança Evangélica Portuguesa, apontam que os cristãos evangélicos em Portugal somam 46.900, embora exista quem afirme que são até 150.000. Uma estimativa diz que os evangélicos portugueses representam 0,4 % da população.

Desde 2000, 322 igrejas foram plantadas em Portugal, e 39% dos batismos evangélicos no mesmo período vieram da nova onda de igrejas. Os números gerais continuam a cair, embora ainda haja mais igrejas evangélicas do que em 1980, quando havia apenas 894 congregações.

A organização que reúne a maioria das comunidades evangélicas portuguesas percebeu ainda que a maioria das igrejas que ainda estão abertas tem um grupo de fiéis reduzido, com menos de 50 pessoas por culto.  Em média, cada igreja faz cinco batismos por ano. Um dos motivos apontados pela diminuição é a grande saída de imigrantes do país, principalmente brasileiros, um fato curioso é que das três centenas de novas igrejas, a maior parte é resultado de fusões de grupos menores. As cidades de Lisboa, Porto e Setúbal concentram a maioria das comunidades evangélicas portuguesas.

Mesmo com a diminuição, missionários que trabalham no país apontam que o país está mais aberto ao evangelismo. Uma matéria publicada no jornal da universidade do Porto os pastores explicam o porquê dessa facilitação.

“O povo está mais flexível” à entrada de novas igrejas

Quando se trata de falar sobre a aceitação da população local ao aparecimento de novas igrejas, os pastores parecem estar de acordo. Há quem não aceite e “é muito difícil chegar às pessoas”, porque Portugal “é um país muito católico”, esclarece o pastor Valdir, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Contudo, adianta que “o povo está mais flexível”. O pastor Márcio, da Igreja Novo Dia, vai mais longe e fala numa mudança de atitude por parte das autoridades. “Em dez anos, há uma diferença muito significativa em termos de abertura, em termos de facilidade para as próprias câmaras municipais nos cederem espaços e em aceitar a programação de eventos”, garante.

A ideia de que milagres acontecem diariamente nestas igrejas é a que mais controvérsia pode suscitar na sociedade. Ainda assim, esta situação não é impedimento para a expansão das igrejas a outras áreas do país. “Mesmo que não haja um grupo de irmãos identificados” numa determinada zona, diz o pastor, como “o objetivo é evangelizar todas as pessoas”, a igreja envia missionários para os locais.

Assim, parece verdade que o cariz católico da sociedade portuguesa está a mudar e os portugueses são já a maioria na comunidade das duas igrejas, que, inicialmente, acolhiam mais brasileiros que portugueses. “Nós somos compostos, majoritariamente, por portugueses. Temos brasileiros, mas um dos propósitos da igreja é alcançar os portugueses”, diz o pastor Márcio.

A professora Helena Vilaça explica a presença de portugueses nestas igrejas com o fato de a sociedade estar “mais permeável”. “Vivemos num mundo onde há sociedades mais individualistas, onde se acha que questões como a religião devem ser o resultado de uma decisão pessoal e menos de uma herança”, acrescenta.

 

 

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