O Budismo no mundo

As estimativas variam, mas existe amplo consenso de que aproximadamente 6% da população mundial é budista de alguma maneira (entre 350 e 500 milhões de pessoas, talvez chegando a 1 bilhão).2 Os dados podem ser obtidos em censos, mas eles representam apenas um instantâneo da percepção pessoal. Muitas vezes, o Budismo está misturado com religiões locais, desde o animismo das tribos das montanhas da Tailândia (o original Bön, do Tibete) até o Xintoísmo do Japão. Além disso, alguns países têm o Budismo como religião oficial de Estado, como o Sri Lanka. Já na China, em contraste, é praticamente impossível separar o Budismo do Taoísmo e do Confucionismo.

O Budismo, em alguma forma, está presente em mais de 125 países, mas a Ásia é o seu lar. Em termos de porcentagem, os budistas estão distribuídos da seguinte maneira: Tailândia (87%), Camboja (85%), Butão (84%), Mianmar (75%), Sri Lanka (70%), Japão (56%), Mongólia (55%), Laos (53%), Vietnam (50%), Formosa (27%), Coréia do Sul (25%), Macau (17%), Hong Kong (15%), Cingapura (15%), Nepal (12%), Brunei (10%), Malásia (6%) e Coréia do Norte (2%).3 Há ainda uma pequena, mas significativa, população budista na Índia (7 milhões). A China, com aproximadamente 244 milhões de budistas, talvez seja o lar de praticamente metade dos budistas do mundo.4 Los Angeles, na Califórnia, é na verdade a cidade de maior diversidade budista do mundo, com representantes de todas as tradições do Budismo.

Prática 

Não é de se admirar, portanto, que o Budismo pareça diferente em cada um desses países, demonstrando muitas variações quanto à escolas e tradições. Algumas são fortemente baseadas em textos e doutrinas, enquanto outras praticam a doutrina até certo ponto, havendo ainda aquelas que descartam a doutrina totalmente. O próprio Buda5 afirmava que seus ensinamentos (o dharma) eram como uma canoa usada por uma pessoa para atravessar um rio. Uma vez alcançada a outra margem, a pessoa poderia descartar a canoa e continuar sua própria jornada.

Os cristãos precisam conversar com os budistas, em vez de simplesmente aprender sobre eles.

Muitos daqueles que se aproximam do Budismo o fazem pela prática, em vez de pela crença. A ortopraxia é, geralmente, mais importante do que a ortodoxia. No início do Budismo, novos grupos se formavam devido muito mais a problemas de disciplina monástica do que a questões de heresias doutrinárias. Tal fato contrasta com os primeiros cinco séculos da história do Cristianismo, em que os conflitos – e os credos resultantes – foram criados, provavelmente, por problemas doutrinários.

Em geral, o Budismo trata mais de técnicas práticas e ética para viver. O discípulo segue um caminhoou uma maneira, utilizando uma técnica em direção a um fim (despertamento/iluminação) – como a prática da meditação, que leva à iluminação – ou tornando-se monge ou monja.

A principal ideia é experimentar o que os ensinamentos e textos oferecem. Rupert Gethin sintetiza isso muito bem:

O objetivo do Budismo é colocar em prática uma maneira particular de viver a “vida espiritual” (brahma-cariya), o que envolve treinamento em conduta ética (sila) e técnicas de contemplação e meditação (samadhi), que culminam na obtenção do grande conhecimento (prajna) que o próprio Buda alcançou. Portanto, o que Buda ensinou é, muitas vezes, referido nos textos antigos como um sistema de “treinamento” (siksa), e seus discípulos podem ser considerados como estando “em treinamento” (saiksa)… Assim, em certos aspectos, a natureza do conhecimento que Buda estava tentando transmitir a seus pupilos era mais parecida com uma habilidade, como saber tocar um instrumento musical, do que com uma informação, como a que horas o avião decola amanhã. 6

 

2 O site budista www.buddhanet.net informa que esse número está entre 200 e 500 milhões. O Pew Forum estima em 488 milhões.

3 ARDA (Association of Religion Data Archives), 2010,http://www.thearda.com/QL2010/QuickList_38.asp, acessado em 10 dezembro de 2014.

4 Entretanto, muitos (senão todos os) estudiosos concordam que é melhor pensar a religião da China como sendo três, isto é, uma mistura indistinguível de Budismo, Taoísmo e Confucionismo.

5 Buda — ou “o primeiro despertado” — foi um personagem histórico chamado Siddhartha Gautama que viveu no norte da Índia, aproximadamente entre o 6º e o 4º século Antes de Cristo.

6 Rupert Gethin. The Foundations of Buddhism. Oxford: Oxford University Press, 1998, p. 36.

 

Fonte: site Martureo – Centro de Reflexão Missiológica

 

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