No artigo Negócios e plantação de igreja pubicado no dia 16 de Dezembro aqui no Radar Missionário escrevi sobre as proezas de Paulo como fazedor de tendas e concluí que negócios e plantação de igrejas foram feitos um para o outro! Adequadamente configurados, equipes de plantação de igrejas e equipes iniciais de negócios podem ser um só. Há muitas boas razões pelas quais devemos considerar seriamente os benefícios deste modelo em missões atualmente. Aqui veremos quatro delas.

Sair

Muitos missionários, plantadores de igreja do modelo convencional, simplesmente não conseguem sair do ponto de partida e ir para o campo em função da falta de recursos financeiros. Isto é real especialmente agora no Brasil, onde trabalho. Não raras vezes, a palavra “difícil” chega a ser branda quando se refere a levantar e conservar mantenedores. A situação econômica em vários países é caracterizada pela combinação de diversos males como pobreza, corrupção, inflação e desvalorização de suas moedas. Mas, potenciais missionários deveriam ser desqualificados de servir ao Senhor interculturalmente simplesmente porque as igrejas não têm, ou pensam que não tem os recursos para enviá-los?

A resposta óbvia é não. Missão Empresarial (BAM) é um modelo que pode criativamente acessar e utilizar numerosos recursos que podem ser encontrados – e não apenas dinheiro, mas talentos e pessoas, especialmente os tão chamados e frequentemente desvalorizados “leigos” – para a glória global de Deus.

Porém o benefício financeiro é apenas o primeiro de quatro, e o modelo tradicional de missionário – mesmo quando o missionário consegue levantar todo seu sustento – normalmente, não provê os próximos três benefícios de plantação de igrejas entre povos não-alcançados em nações de acesso restrito.

Entrar

Eu fico totalmente entusiasmado quando leio histórias de pessoas como do Irmão Andrew e Geroge Verwer e outros que estão dispostos a arriscar suas vidas para se infiltrar em contextos restritos a fim de compartilhar Cristo ou encorajar fieis. Eu agradeço a Deus por eles! Eu também agradeço a Deus pelos milhares de missionários que, com o mesmo senso de chamado e convicção, procuram entrar em tais contextos, como turistas, para promover a causa de Deus. Mas, enquanto estes são meios viáveis de entrar em vários países, eles não proporcionam soluções plausíveis em longo prazo. Em muitos destes lugares, brasileiros e outros do Sul Global, que entram com vistos de turista estão limitados a meses ou até mesmo, semanas, de cada vez, e então eles precisam sair do país para entrar novamente com um novo carimbo em seus passaportes.  Estas constantes idas e vindas, não são práticas e nem viáveis. Por outro lado, quase todos os países são felizes ao conceder visto específico de longo prazo para aqueles que são capazes e dispostosa fazer negócios legitimamente. E muitos dos países em desenvolvimento se encaixam nessa situação. Aprendendo por experiência a ser muito criativo, e fazer muito do pouco, brasileiros e outros do Sul Global, são empresários por natureza, então Missão Empresarial (BAM) apenas faz sentido em contextos de acesso criativo.

Permanecer

Se entrar é difícil, permanecer pode se provar quase impossível – especialmente com visto de turista ou estudante – e permanecer com credibilidade é ainda mais inatingível. Entretanto, a Missão Empresarial (BAM) ajuda a superar esses obstáculos fornecendo benefícios que muitos outros modelos não podem. Quando plantadores de igrejas interculturais (ou mentores de plantadores de igreja) estão ocupados, não apenas “trabalhando no ministério” (no sentido convencional), mas criando empregos e estimulando a atividade econômica, e através de suas empresas, proporcionando serviços sociais (por exemplo, esportes, educação, saúde e higiene), eles estão criando oportunidades de “permanecer” por um longo tempo entre as pessoas que querem alcançar, de um modo que seja viável e confiável. Isto é crucial, tendo em mente que movimentos de plantação de igreja não acontecem do dia para noite. E que nem as comunidades, sociedades, povos e nações, são transformadas em uma geração, o que nos leva ao nosso benefício final.

Submergir

Permanecer por décadas entre um grupo de pessoas não é garantia de um ministério efetivo, de que igrejas serão plantadas e que sociedades serão transformadas. Trabalhadores interculturais necessitam encontrar mecanismos pelos quais podem adentrar em redes sociais a fim de proclamar o Evangelho em sua plenitude, através de palavras e obras. Eles precisam aprofundar-se na cosmovisão de uma cultura, e a melhor forma de fazer isso é ficando lado a lado com “pessoas comuns” todos os dias, criando empatia com eles enquanto lutam por equilíbrio e lidam com as questões existenciais da vida. O modelo tradicional de missionário geralmente não encoraja, nem permite que ocorra esse tipo de ministério.  A Palavra que virou carne e habitou entre nós não era um profissional religioso indiferente, e nem nós deveríamos ser! Ele criava empatia com as pessoas porque entendeu e praticou, no sentido mais verdadeiro, uma “teologia da presença”. O modelo de Missão Empresarial deve ser uma “moleza” na maioria dos casos, porque nos permite uma posição estratégica entre as pessoas e “trabalhar” (literalmente) para a glória do nosso Rei. É seguro afirmar que na direção do Espírito Santo, vidas, famílias, comunidades e até mesmo sociedades serão transformadas.

Sair, entrar, permanecer, submergir. Estes são apenas alguns dos benefícios garantidos pela Missão Empresarial, levando a Igreja aplantar igrejas entre os povos não-alcançados do mundo de maneira efetiva, holística e agradável a Deus.

 

john.mordomo

João Mordomo serve como Presidente Executivo da CCI-Brasil, “SeniorAssociate” para Missão Empresarial no Movimento Lausanne, e sócio, gerente ou conselheiro de várias empresas de “missão empresarial.” Veja www.joaomordomo.com para saber mais. Siga o João: www.doxologic.al; Facebook – fb.com/mordomo.org; Twitter – @JoaoMordomo.

 

 

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