Os confrontos entre a população e as forças de segurança não cessaram na Caxemira indiana desde que em 8 de julho. A população vem sofrendo com a violência e por isso queremos unir forças para orar pelo povo e também missionários que atuam na região.

No início deste ano publicamos um Diário de Missões da região, que nos fez ver a necessidade de cobertura espiritual para o local, mesmo ainda sem o ataque. E as coisas pioraram por lá desde que o exército da Índia afirmou ter matado três militantes do Paquistão depois de um ataque de um atirador dois dias antes em um posto na fronteira indiana da região da Caxemira.

Os militantes foram mortos no setor de Tanghdar ao norte de Caxemira, disse o tenente-coronel Manish Kumar à agência de notícias Reuters, acrescentando que três fuzis e suprimentos militares foram recuperados no local.

As tropas indianas mataram 103 militantes do Vale da Caxemira até o mês de agosto, o maior número nos últimos anos. De acordo com estimativa oficial, 56 militantes atravessaram a fronteira para a Caxemira neste ano, até julho, e 36 no mesmo período do ano passado.

A Índia acusa o Paquistão de patrocinar o terrorismo na fronteira de Jammu e da Caxemira. O porta-voz do governo paquistanês não pôde ser contatado para comentar o assunto, mas Islamabad nega qualquer dessas atividades.

De maioria muçulmana, a Caxemira tem sido palco de protestos desde o assassinato, por forças de segurança, de um comandante de campo de uma base militante do Paquistão em 8 de julho, com pelo menos 65 pessoas mortas e 6 mil feridos nos confrontos com as forças de segurança.

Índia e Paquistão estão envolvidos em um vai e vem diplomático para tentar organizar negociações entre seus ministros das Relações Exteriores, mas eles ainda têm de acordar uma data ou especificar a ordem do dia. A Índia não está disposta a discutir o status da parte da Caxemira que ela controla.

Entenda os motivos

A Caxemira representa um dos mais importantes conflitos da atualidade que envolve diferenças étnicas e disputas pela divisão de fronteiras nacionais.  Até 1947, no período anterior à independência da Índia e da fragmentação do território indiano, seus 220 mil km2(aproximadamente a área do estado brasileiro do Piauí) estiveram sob o domínio do Marajá Hari Singh Bahadur, sendo composta dos territórios de Jammu, Caxemira, Ladakh, Aksai Chin, Gilgit, e Baltisan Partition. No entanto, com as transformações que ocorreram após a 2ª Guerra Mundial, esse território foi dividido entre Índia, Paquistão e China.

A Índia ganhou o controle de Jammu, Caxemira e Ladakh. O Paquistão tomou o controle de Gilgit, Baltisan, e a parte ocidental da Caxemira.  Atualmente, o estado indiano formado por Jammu, Caxemira e Ladakh é oficialmente chamado Jammu e Caxemira, equivalendo a 141.338 km2 da área total. O Paquistão detém 85.846 km2 e a China possui uma área relativamente menor, com 37.555 km2. O termo Caxemira geralmente é empregado para se referir a toda a região, contendo todas as três áreas.

Após a independência, Índia e Paquistão foram à guerra em três ocasiões.  Durante a primeira guerra indo-paquistanesa (1947), o Paquistão obteve sucesso, conquistando grandes áreas do antigo reino da Caxemira, mas estas foram as regiões menos desejáveis e menos populosas. Os chineses, que por muito tempo contestaram os seus limites territoriais com a Índia, assumiram o controle da Aksai Chin em 1950. O governo da Índia tentou, mas não conseguiu recuperar esse território em 1962, quando ocorreu um conflito de fronteira entre os dois países. Na segunda e na terceira guerra indo-paquistanesa (1965 e 1971), a Índia tomou os locais mais populosos e as áreas mais produtivas da Caxemira que eram controladas pelo Paquistão. Os limites territoriais foram definidos em 1972, com a realização do Acordo de Simla, com o aval da ONU, quando foi delimitada a Linha de Controle, em substituição da linha de cessar-fogo criada em 1948.

A Caxemira tem vital importância para a soberania em relação aos recursos hídricos, abrangendo a localização das nascentes dos rios Ganges e Indo, os principais rios da Índia e do Paquistão, respectivamente. O Vale da Caxemira, moldado pelo rio Jhelum, possui aproximadamente 85 quilômetros de comprimento por 40 quilômetros de largura e está localizado a uma altitude de mais de 1500 metros.  O vale contém Srinagar, a capital do estado de Jammu e Caxemira, uma cidade de mais de 500.000 habitantes.  O estado é separado da área de Jammu por uma cadeia de montanhas chamada Panjal Pir.  Jammu é a cidade principal da metade sul do estado.  Uma vez que grande parte da Caxemira está localizada nas montanhas do Himalaia, apenas cerca de 20% das terras podem ser cultivadas, mas os agricultores representam 80% da população.  A maioria dos solos é bastante seca durante a maior parte do ano, mas a terra no vale dos rios tem sido capaz de produzir uma grande variedade de árvores e flores, com grandes colheitas de arroz, frutas e legumes.

Segundo os dados do último recenseamento, a parte paquistanesa da Caxemira conta com uma população de 4,5 milhões, enquanto a Caxemira indiana detém cerca de 12,5 milhões de habitantes.  Na porção localizada na Índia, os muçulmanos totalizam 95% da população, distribuídos em 48% na região de Ladakh e quase 40% em Jammu. As etnias hindu e sikh estão concentradas em Jammu, os cristãos estão dispersos por todo o estado e os budistas estão localizados principalmente nas áreas pouco povoadas de Ladakh.  Por esta razão, a população muçulmana deseja a integração com o Paquistão, desligando-se do controle do governo da Índia, muitos paquistaneses gostariam de ver esta área se tornar parte do Paquistão.

Desde 1989, a área indiana da Caxemira vem sofrendo atentados terroristas por parte dos militantes muçulmanos e políticas de segurança opressivas do exército indiano. Por vezes, militantes islâmicos paquistaneses têm atravessado a fronteira para lutar contra o controle indiano na região.  Estima-se que cerca de 600.000 soldados indianos operam na região da Caxemira para reprimir as insurgências. O governo do Paquistão afirma que os rebeldes são nativos da Caxemira e que são forçados à rebelião por conta de políticas repressivas da Índia e da corrupção do sistema indiano. A economia instável da Caxemira, com altos níveis de desemprego, contribui para tornar a região ainda mais vulnerável às crises sociais.  Os paquistaneses também acusam o exército indiano de recorrer à tortura, estupro e assassinato, no intuito de suprimir o direito do povo da Caxemira para determinar o seu próprio futuro político, como através de um plebiscito.

Em resposta, o governo da Índia afirma que o Paquistão é a fonte do problema por ter criado campos de treinamento terroristas no início de 1980 para ajudar os afegãos a resistir a invasão da União Soviética no Afeganistão.  Também afirma que ocorre tráfico de armas que saem da Caxemira paquistanesa em direção à da Índia, o que auxiliaria os grupos extremistas que promovem atentados na região. A finalidade desses atos é alarmar os hindus que vivem na Caxemira e tentar radicalizar a população muçulmana para convencê-los de que a região deveria se tornar parte do Paquistão. O governo da Índia também acusa os chineses de oferecer suporte no treinamento de soldados paquistaneses, pois é muito comum a prática de exercícios de guerra de soldados chineses na fronteira entre os três países.

Atualmente, o Paquistão ainda parece determinado a ganhar o controle do estado indiano de Caxemira.  O país utiliza como principal argumento a questão de que a maioria da população da Caxemira é muçulmana e que é seu desejo participar do Paquistão, mas são impedidos de fazê-lo por um governo indiano opressor. A Índia parece igualmente determinada a manter o controle do estado da Caxemira. Após 60 anos de disputa, ambos os lados ainda afirmam que apoiam a ideia de realizar um plebiscito para determinar a vontade do povo da Caxemira.  Mas nenhum plebiscito foi realizado durante todo esse período e nem a Índia nem o Paquistão parecem estar dispostos ou capazes de manter tal compromisso para fazer algumas concessões.

A ameaça de guerra sempre pareceu iminente, pois ambos os países são altamente militarizados. A Índia realizou cinco testes nucleares subterrâneos no deserto da província do Rajasthan, oeste da Índia, em 11 e 13 de maio de 1998. O Paquistão respondeu com sua própria série de testes nucleares em 28 e 30 de maio desse mesmo ano.  Nessa época, os países haviam testado sistemas de mísseis que poderiam carregar bombas nucleares.  Os testes foram muito populares na Índia e no Paquistão, e os defensores dos testes sublinharam que os países estavam agindo defensivamente e que tinham receios de segurança legítimos.  A Índia possui aviões e mísseis capazes de alcançar todas as grandes cidades do Paquistão, que ainda não possui a mesma capacidade. Os dois países não são signatários do TNP (Tratado de Proliferação Nuclear) em vigor desde 1970.

Com o desenvolvimento desses testes, os chefes de Estado de diferentes nações temem que as armas nucleares nas mãos dos líderes dos dois países possam aumentar consideravelmente a possibilidade de uma guerra nuclear.  Em resposta a esse receio, os Estados Unidos denunciaram vigorosamente os testes indianos quando ocorreram e exortaram os paquistaneses a não responder.  Quando os paquistaneses responderam, os

Estados Unidos imediatamente impuseram sanções econômicas a ambos os países, o Japão teve a mesma reação.

Após as transformações na geopolítica internacional devido aos atentados de 11 de setembro de 2001, os norte-americanos flexibilizaram sua política na região, principalmente porque necessitavam do apoio paquistanês no combate à Al Qaeda e na busca pelo líder terrorista Osama bin Laden.

Outras nações importantes, como China, França e Rússia, condenaram os testes, mas eles se recusaram a impor sanções. É evidente que o Ocidente não deseja o surgimento de novas potências nucleares, mas analisando sob uma olhar crítico, os testes foram muito mais uma demonstração de força, ou seja, um país capaz de desenvolver armas nucleares e mísseis de longo alcance não pode ser invadido e dominado facilmente.

Informações sobre conflito na Caximira:

Júlio César Lázaro da Silva
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista – UNESP

 

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