Mesmo com exposição negativa da religião, o crescimento do islamismo é assustador

Por Diane Duque

Em meio as recentes manifestações violentas ligadas ao Estado Islâmico nosso pensamento é remetido à responsabilidade da igreja nessa onda de terror que assola, principalmente, o Oriente Médio deixando sempre um grande rastro de sangue e uma ameaça a diversos missionários, judeus e cristãos.

O Islamismo é a religião que mais tem crescido nos últimos anos, alguns especialistas afirmam que, entre outros fatores, o crescimento se dá ao fato da rígida educação recebida desde criança e que vai passando de geração a geração.

Se de um lado dados oficiais mostram 35.167 muçulmanos, de outro líderes, instituições islâmicas e estudiosos da religião apontam cerca de 1,5 milhão de seguidores no Brasil.

O crescimento é visto também na quantidade de sheiks que falam português. Em 2004 eram cinco, atualmente a conta oficial chega a 15. O número de sheiks nascidos no Brasil também aumentou, de três para sete nos últimos dez anos. Mas, não apenas o número de fiéis vem crescendo, as mesquitas também têm se tornado a cada dia mais comuns por aqui. Segundo dados do último Censo (2010) já são 115 espalhadas pelo Brasil, contra 70 em 2005.

Segundo pesquisas da comunidade islâmica a maior parte dos muçulmanos está concentrada em São Paulo, onde somente na capital encontram-se 13 mesquitas, além de outras em várias cidades do interior. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná também apresentam um bom contingente, principalmente na região de Foz do Iguaçu, onde fica uma das mesquitas mais suntuosas do Brasil e que se tornou ponto turístico local. Nos demais estados também existem muçulmanos, porém em menor número.

Para Francirosy Ferreira, professora de antropologia do departamento de psicologia social da Universidade de São Paulo (USP), um dos motivos do aumento dessa religião no Brasil se dá pela divulgação dela em língua portuguesa. “Há mais líderes falando e ensinando o islã em português”, aponta.

A língua tem sido o fator principal para a reversão de brasileiros sem origem muçulmana. No islã todos nascem muçulmanos por isso quando se falam de novos adeptos eles não usam a palavra “conversão”, mas sim “reversão”.

 

E o que os cristão têm feito?

Máisel Rocha, diretor da Missão Mundo Mulçumano (M3), aponta que a cada 24 horas, 37 mil muçulmanos morrem, partindo para uma eternidade sem Deus; a maioria deles jamais ouviu a mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Nos últimos 30 anos, o Islã pulou de 800 milhões para mais de 1,6 bilhão de adeptos, espalhados por 57 nações de maioria islâmica e 40 outras de minoria muçulmana significativa, nos cinco continentes. “Grande parte dessa realidade é apenas o resultado da postura adotada por nós, cristãos, quanto à necessidade de cumprir a grande comissão de Cristo entre os muçulmanos”, analisa.

Máisel vai além e diz que a Igreja envia menos de 1% de seus missionários aos muçulmanos e investe menos de 2% para que o evangelho seja pregado entre eles. Isso resulta em um missionário para cada 420 mil muçulmanos no mundo e explica o fato de eles serem o maior povo não alcançado pelo evangelho.

“Enquanto isso, o Islamismo empenha todos os seus recursos para ‘islamizar’ o mundo em que vivemos. Escolas de formação islâmicas, literatura islâmica e agências missionárias são alvo do investimento dos países que querem propagar o Islamismo. No Paquistão, três milhões de jovens concluem estudos em teologia islâmica todos os anos. Na Arábia Saudita, 30 bilhões de dólares foram investidos nos últimos 30 anos para que o Ocidente fosse ‘islamizado’. A maior agência missionária cristã do mundo está no Texas, EUA. O que ela investe na propagação do evangelho em um ano, a Arábia Saudita investe em três dias, para que o Islã seja difundido. No Brasil existe aproximadamente 1,5 milhão de muçulmanos, dos quais boa parte era cristã católica ou protestante. O maior número de brasileiros convertidos ao Islã vem de uma das maiores denominações evangélicas do Brasil. Há também ex-pastores evangélicos que se converteram ao Islã e hoje atuam como missionários muçulmanos em nossa nação. Infelizmente, boa parte dos cristãos e de seus líderes simplesmente não está preparada para responder aos desafios feitos a nós pelo Islamismo”, lamenta Máisel que têm artigos publicado sobre o tema..

 

Crescimento entre os brasileiros

Com um maior apoio de países árabes, houve uma expansão na construção de mesquitas no país, na década de 80 o que acarretou numa maior visibilidade do aspecto religioso dessa comunidade árabe que se estabeleceu no Brasil. Até então eles eram vistos pelos brasileiros apenas como árabes e descendentes com seus traços culturais específicos. Para o pesquisador Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto, professor do PPGA/UFF e diretor do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense, não era somente uma impressão mas de fato eles agiam assim, pois mesmo com a criação dessas entidades islâmicas o objetivo principal dos imigrantes era o de criar ambientes comuns, para manter as famílias próximas umas das outras e darem prosseguimento às suas vidas da forma menos afastada possível de suas origens. “Não havia uma grande preocupação com a questão religiosa, e sim com o convívio social e a manutenção e reprodução de suas raízes árabes entre as famílias. Mas com o aparecimento das mesquitas nas cidades a religião ficou mais evidente, e a partir da década de 90 começaram as conversões de brasileiros ao Islão”, explica.

Mesmo com uma exposição negativa na mídia, líderes islâmicos no Brasil perceberam a curiosidade nas pessoas e a busca de informações sobre o Islão nas mesquitas e instituições islâmicas. Quanto mais se propaga uma visão negativa e estereotipada dos muçulmanos, mais pessoas buscam informações sobre a religião e como consequência ou viram simpatizantes ou se tornam muçulmanas. Para o professor Paulo Gabriel Hilu um bom exemplo é a Europa, onde já existem quase 60 milhões de muçulmanos, e esse crescimento faz com que, atualmente, de todos os muçulmanos do mundo (1,6 bilhão), apenas 18% sejam de origem árabe. No Brasil, acredita-se que a maior parte dos muçulmanos ainda seja de árabes e seus descendentes, mas também existem muitos revertidos. Em alguns estados eles são inclusive maioria, como no Rio de Janeiro, por exemplo: cerca de 70% dos muçulmanos são brasileiros que abraçaram o Islão, e apenas 30% são imigrantes e descendentes.

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