A vida de Nate Saint foi muito curta, morreu com apenas 32 anos. Desde pequeno mostrava uma qualidade de pioneirismo. Aos sete anos fez o seu primeiro vôo. Depois disso, apaixonou-se por aviões. Com oito anos empreendeu um “estudo” sobre as hélices do moinho da fazenda onde moravam no interior dos Estados Unidos.

Como sua família era cristã, Nate aprendeu a Palavra de Deus com seus pais. Sua irmã Raquel adorava lhe contar as histórias da vida dos grandes missionários. Em sua juventude serviu na Força Aérea dos Estados Unidos, onde revelou um talento extraordinário para mecânica de aviões.

Depois que deixou a Força Aérea, Nate Saint teve a convicção do SENHOR Deus de ser chamado para Missões. Conheceu o trabalho missionário da Missão Asas do Socorro que prestava serviço de aviação aos missionários que trabalhavam em lugares de difícil acesso, principalmente nas selvas amazônicas. Estudando teologia e prestando serviço como piloto aos missionários, Nate foi crescendo na Palavra de Deus, preparando-se espiritualmente e se fortalecendo para o grande desafio que Deus preparava para a sua vida.

Foi nessa época que Nate Saint conversando com um colega de seminário lhe confidenciou que “a sua vida havia chegado no ponto sem retorno”. Seu amigo não entendeu o que ele quis dizer com isso. Mas guardou aquela expressão em seu coração. Muito mais tarde ele compreendeu o que Nate naquele dia lhe abriu o coração.

Em 1948, Nate Saint casou-se com Marj, uma jovem recém-formada em enfermagem, e que compartilhava com ele da mesma visão missionária. Buscaram a Deus quanto ao campo que deveriam ir. Estava claro que Deus os queria no trabalho nas selvas do Equador, na América do Sul.

Nesse período Nate ouviu falar dos índios aucas. Eles eram selvagens e haviam recentemente atacado um posto de uma companhia petrolífera matando 14 pessoas. Totalmente arredios e vivendo nas selvas, os aucas tinham resistido a algumas tentativas de missionários para alcançá-los. Esses índios recusavam qualquer contato com brancos e até com outros índios. A maneira pela qual eles respondiam a todas as tentativas de amizade era sempre com emboscadas que deixava vítimas feridas por setas e lanças.

Para Nate Saint os temíveis aucas não foram vistos como selvagens, mas como um povo pelo qual Jesus Cristo também havia morrido. Cresceu nele uma compaixão por aquele povo, e com aquele sentimento veio o desejo de alcançá-los.

Uma equipe de cinco missionários foi formada com a finalidade de alcançar os aucas para lhes levar o Evangelho de Jesus Cristo. Juntaram-se a Nate Saint, Jim Elliot, Pedro Fleming, Ed McCully e Rogério Youderian. Começou, então, a “operação auca”.

Ficou a princípio estabelecido que tudo fosse preparado com extremo cuidado e precaução. Mas umas vez havia chegado a notícia de mais uma emboscada dos aucas com muitas mortes. Por isso, por vários meses, os cinco missionários se reuniram com suas famílias para orar e planejar como alcançar os aucas.

Sobrevoando a selva, localizaram aldeias dos aucas e começaram a jogar presentes para eles. Enquanto isso, uma auca que vivia na cidade começou a lhes ensinar um pouco da língua daquele povo feroz: Biti miti puni-mupa (Eu gosto de você e quero ser seu amigo).

Boas notícias: os aucas começaram a pegar os presentes e a colocar os presentes deles como uma prova de gratidão e retribuição! A equipe toda estava eufórica!

Depois de várias trocas de presentes e demonstrações de amizade, os missionários resolveram descer até a região dos aucas. No dia 3 de janeiro de 1956, eles aterrisaram numa praia do rio, fizeram uma cabana, colocaram mais presentes à vista e esperaram o contato com aqueles índios. Diariamente falavam pelo rádio do avião com as suas esposas, comentando a expectativa de a qualquer momento receberem a visita dos aucas. Durante três dias gritaram na língua dos aucas: Biti miti puni-mupa! (Eu gosto de você e quero ser seu amigo!).

No dia 08 de janeiro o rádio ficou mudo. As esposas não receberam mais nenhuma comunicação deles. No dia seguinte, elas comunicaram o desaparecimento dos missionários. Várias equipes de busca foram formadas. E, finalmente, encontraram na praia, perto do avião e próximo da cabana, quatro corpos dos missionários. O corpo de Ed McCully nunca foi achado. Os cinco missionários foram assassinados pelos aucas.

E novamente a história de Missões se repetiu. O sangue de mártires torna fecundo o solo de conversões. Ao saber da morte de seu marido, Marj teve fé e forças para orar: “Senhor, tiraste de mim o tesouro mais precioso que eu tinha na terra. Usa a sua morte ainda mais do que usaste a sua curta vida”. Este era o seu amém e o amém de Deus.

As viúvas e a irmã de Nate Saint, Raquel, anos depois, continuaram o trabalho de missionário de alcançar os aucas. No dia 08 de outubro de 1958, Betty Elliot e Raquel Saint finalmente se estabeleceram entre os aucas. Muitos se converteram. Formou-se uma igreja. E entre os covertidos estava Kimo, um dos matadores dos missionários. Kimo se tornou pastor, e em 1965, na mesma praia onde os cinco missionários morreram, ele batizou naquelas águas Kathy, filha de Nate Saint, a pedido dela e concordância da mãe.

“Minha vida chegou a um ponto sem retorno”, disse Nate Saint antes daquela missão. O seu amigo finalmente veio a descobrir o que isto significa. Os pilotos da II Grande Guerra quando iam para os combates tinham que ficar de olho no marcador de combustível. Quando o ponteiro chegasse ao meio, era hora de voltar, pois o combustível só daria para o retorno. Algumas vezes, o piloto ficava tão concentrado nos combates, que esquecia de olhar a reserva de combustível. Quando ele olhava e via que não dava mais para retornar, só lhe restava gastar o restante de combustível que tinha para a missão, sem mais pensar em voltar. Os grandes heróis da Força Aérea foram os que chegaram a este chamado ponto sem retorno.

Foi assim que Nate Saint compreendeu a sua vida diante do SENHOR Jesus Cristo. Sua compreensão de Deus e da missão lhe confiada o levou a um ponto sem retorno – em que o mais importante era cumprir a Missão!

 

Pr. José Nogueira

3 Comments

  1. Anônimo

    Simplesmente fantástico esse texto, inspirador.. do quão grande é nosso grande Deus. Bendito seja o Senhor Jesus!!!

  2. muito bom! Obrigado a quem faz este trabalho.

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