Conheça como funciona o trabalho missionário dos fazedores de tendas. Em entrevista exclusiva ao Radar Missionário Gustavo de Souza Borges, membro da equipe de coordenação do departamento Profissionais e Empresas em Missão (PEM) da Associação Missionária Transcultural Brasileira (AMTB), conta tudo sobre esse interessante trabalho.

O que é os Fazedores de Tendas?

Fazedores de Tenda são missionários que inspirados no modelo do apóstolo Paulo registrado em Atos 18 usam sua profissão para se auto sustentar e para criar oportunidades de contato com a população local, compartilhando assim o evangelho e a vida. Logo, podemos entender que fazer tendas é mais um modelo missionário bíblico. Este modelo foi o principal modelo missionário durante séculos, mas nos últimos 200 anos o modelo, que hoje chamamos de tradicional, ou seja, com dedicação integral ao ministério e sustentado pela igreja, se consolidou de tal forma que o modelo de fazedores de tenda acabou parecendo uma novidade ao ser retomado em meados do século passado.

Quem pode se tornar um fazedor de tendas?

Qualquer cristão pode se tornar um Fazedor de Tendas, independente de seu trabalho ser no exterior ou no próprio Brasil. Basta ele entender que a profissão que ele tem é uma forma legítima de sustento missionário e uma estratégia poderosa na divulgação do evangelho.

É claro que não podemos esperar que sem nenhum preparo qualquer cristão consiga ser um missionário efetivo. Por isso, se faz importante que as igrejas e agências missionárias desenvolvam currículos de ensino e promoção deste modelo, auxiliando aqueles que se sentem chamados a entender melhor tanto seu chamado como a forma de utilização dos recursos que Deus lhes tem concedido.

Quais são os objetivos desse (ministério) Modelo?

Como fazer tendas, mais do que uma estratégia missionária, é um estilo de vida. Creio que o principal objetivo é a pregação da palavra e o compartilhar do evangelho por meio da vida e do testemunho cristão, a partir dos relacionamentos construídos tanto no ambiente de trabalho como na vizinhança.

Claro que este modelo abre portas que os modelos tradicionais já não estão conseguindo abrir, uma vez que podem não conseguir vistos de acesso, especialmente em regiões mais fechadas ao evangelho, que o fazedor de tendas conseguiria. Logo, entendo que por meio deste modelo o objetivo de alcançar todos os povos e nações será mais rapidamente atingido. Portanto, podemos dizer que este modelo tem o objetivo de ser também uma estratégia de acesso a locais onde o missionário tradicional não pode chegar.

Quais são os principais desafios?

Temos alguns desafios mais gerais, enfrentados por todos os fazedores de tenda do mundo e alguns “exclusivos” dos brasileiros. De forma geral o desafio de integrar sua fé e seu trabalho é o principal item de preocupação de um fazedor de tendas. Normalmente o trabalho ocupa a maior parte do tempo produtivo do missionário e, se ele não ficar atento e utilizar as estratégias corretas, acabará não sendo efetivo, focando somente em seu trabalho e deixando de estreitar os relacionamentos com quem ele lida no trabalho, perdendo a oportunidade de ser testemunha de Cristo naquele lugar.

Outro ponto importante é que, como o fazedor de tendas normalmente não precisa de sustento financeiro, ele tende a querer ir ao campo mesmo sem o envio da igreja local e a igreja local tende a não se interessar em enviá-lo apenas espiritualmente. Além disso, é preciso destacar o papel das agências missionárias. Sem seu envolvimento no processo, o obreiro pode ir despreparado tanto em relação a contextualização cultural, sem preparo, sem estratégia de como o trabalho poderia ser mais efetivo e sem a orientação de pessoas mais experientes que poderiam ser auxiliar em sua jornada.

Já para os brasileiros, em contextos transculturais, a outra dificuldade é o idioma. De forma geral os brasileiros têm dificuldade em falar outros idiomas e quando decide ir a outro país precisam de muito tempo até conseguir um nível de fluência adequado para conseguir empregos.

Os fazedores de tendas correm algum risco quando estão no campo?

Os riscos que eles correm são semelhantes aos dos missionários no que diz respeito a perseguição religiosa. Apesar de não terem problemas com o visto se não tomarem o devido cuidado poderão ser, em alguns países, denunciados e deportados por pregar o evangelho.

Pode deixar uma mensagem para os leitores do Radar Missionário em relação ao Fazedores de Tendas?

Descobrir este modelo missionário foi para mim um divisor de águas muito grande. Tanto eu quanto minha esposa abraçamos o modelo e mesmo aqui no Brasil começamos a viver nossa vida com uma perspectiva diferente. Nos sentimos e tentamos agir como missionários no campo. Mas esta é uma outra história que eu já contei la no Podcast nº 275 do irmãos.com.

Quero aproveitar também para compartilhar que a AMTB por meio do PEM – Departamento de profissionais e Empresas em Missão está organizando em conjunto com a agência americana Global Opportunities um curso preparatório para fazedores de tenda. Este curso irá acontecer entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro de 2015 e as inscrições já estão abertas no site www.fazendotendas.org 

 

Gustavo de Souza Borges

Membro da equipe de coordenação do departamento Profissionais e Empresas em Missão (PEM) da Associação Missionária Transcultural Brasileira (AMTB). Bacharel em Ciências da Computação com pós-graduação em Matemática e Estatística. É Gerente de Novos Negócios em uma multinacional de Seguros e editor do site fazendotendas.org. Participou do Tentmaking Business as Mission Course na Global Opportunities, EUA.

 

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