Eu sou um cigano brasileiro, da etnia Calon. Nasci em 30 de dezembro de 1968 na cidade de Tatuí (SP). Converti-me ao Evangelho do Senhor Jesus em 2003 na cidade de Santa Fé do Sul também em São Paulo, onde moro com minha família atualmente. Durante toda minha vida morei em barracas, viajando por diversas cidades brasileiras praticando o comércio ambulante. Como cigano já sofri muito com a discriminação e preconceito da sociedade. Eu era idólatra e vivia uma vida sem paz, sem amor e sem direção.

Em 1998 fui evangelizado na cidade de Maringá (PR) quando, acompanhado de meu sogro numa das entradas da cidade, recebemos a visita de um homem desconhecido. Ele estava bem vestido e parou o carro, desceu e pediu para orar conosco. No desenvolvimento dessa inesperada visita o homem anunciou o evangelho para nós e afirmou: “Alguém aqui, um dia irá lembrar-se das palavras que eu estou dizendo, pois Deus tem uma obra para realizar nessa vida”. Anos mais tarde me lembrei disso quando tive um encontro com Cristo, num retiro da Igreja Assembléia de Deus – Ministério Paulínia em Santa Fé do Sul. Pela graça de Deus minha conversão foi impactante para meu povo que mora em minha cidade (cerca de 300 ciganos) e muitos dentre eles começaram a frequentar a igreja, sendo que alguns também se converteram em foram batizados, especialmente meus familiares. Pela graça de Deus fui ordenado ao ministério pastoral em 25 de Janeiro de 2010, na COMADESPE e CGADB (Assembléias de Deus) em Bauru, SP. Na igreja local, atualmente sou pastor titular, pregando, visitando e evangelizando. Sendo acompanhado em todo o tempo por líderes e principalmente pelo meu pastor, Pr. Artaxerxes Fernandes, logo tive contato com outros ministérios específicos que já evangelizam ciganos, podendo assim desenvolver mais a missão de evangelizar meu povo. Pela bondade de Deus, tenho também o privilégio de ser o atual representante da Rede Nacional de Apoio aos Ciganos (RENACI), um grupo de Calens e gajéns que se importam com nosso povo cigano. Toda minha família é de etnia cigana. Sou casado com Jeanete Apolinário e tenho cinco filhos: Dalvana, Magalona (casada), Hortência, Valber e Josué.

Na frente da Maci Valdir diz que as maiores peculiaridades do trabalho missionário junto a comunidade cigana são de entender que se trata de um trabalho transcultural que exige um preparo adequado para quem deseja evangeliza esse povo, que o possibilite interagir com a cultura local e estar capacitado para discipular e formar lideranças autóctones. Ele lembra que os ciganos não é um povo homogêneo, eles se subdividem em diferentes grupos com características diferentes, que possuem uma identidade étnica, idiomas, parentesco e sentimento de coletividade.

“É importante que se desenvolvam pesquisas culturais, qualitativas e sociais para descobrir quem são como vivem, como se organizam, entender sua história e crenças, quais seitas e religiões estão presentes ali, como são os casamentos, parentescos, quantos homens, mulheres e crianças, quem é o líder e tipo de liderança que exerce, se vão à escola e se tem acesso a saúde básica e outros serviços prestados pelo estado. Buscar conhecer o conjunto de comportamento, de valores e das crenças culturais do povo, para a partir disso desenvolver um projeto e ferramentas de evangelização”, argumenta Apolinário.

Com tantos anos a frente do trabalho missionário com os ciganos Valdir tem diversos testemunhos para contar:

“Um cigano de 15 anos, o D.S. (por questão de segurança do grupo não colocarei seu nome), estava arrumando o carro da família quando uma madeira caiu batendo no farol do carro que explodiu e atingiu seu olho direito. Ele teve que ser transferido as pressas para a capital e lá os médicos disseram após a cirurgia que tinham dado 15 pontos, mas, infelizmente seu olho tinha vazado e que era praticamente impossível a recuperação, que voltassem dali dois dias para retirada e colocar um olho de vidro. Todos ficaram muito desesperados, oramos com eles e dissemos para confiarem em Deus e pedir a Ele e somente a Ele, pois Deus tinha poder para reverter essa situação. A família muito ligada à macumba e a feitiçarias fizeram um voto que se Deus não o deixasse perder seu olho, eles iriam acreditar e servir só a Deus. Quando voltaram ao hospital os médicos ficaram surpresos ao constatar que o olho estava cheio de líquido novamente e não precisaria mais do olho de vidro, mas que mesmo assim ele não enxergaria mais. O senhor D. após meses de um difícil tratamento, aos poucos retirou os pontos e ali naquela hora já conseguiu enxergar e passar em vários testes. Esta tendo de usar uma lente para corrigir a visão, mas olhando para ele hoje nem se nota nada de anormal no olho, pra a Glória de Deus!! Seu pai, um dos líderes da comunidade aceitou a Jesus e toda a família tem buscado a Deus!

Temos visto grupos onde famílias que passaram a conhecer a Jesus orarem chorando, pedindo a Deus para deixar de enganar e mentir para sobreviver, deixando de ganhar muito dinheiro com a venda de produtos falsificados e passar a vender panos de prato, toalhas de mesa, travesseiros, chinelos pelo desejo de servir a Deus de verdade e Deus tem honrado e mudado suas vidas!  Tenho visto muitos os ciganos quando lhes falamos do amor de Jesus ficam espantados e afirmam já ter ouvido de Jesus, mas o que não sabiam é que Jesus morreu na cruz pelos ciganos também! Porque nunca nos disseram isso? Vai lá contar pros meus parentes também!”.

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