Por esses dias, aqui na cidadezinha onde atuo, o Senhor me concedeu uma grandiosa oportunidade. Pude ver Deus usar tremendamente a vida do Jotta. Ele é o único jovem crente da etnia que é alvo do nosso trabalho. Estou discipulando-o há vários dias, e apesar dele ainda não poder expor abertamente a sua fé, ele foi cheio de coragem e sabedoria falar de Jesus, para um dos jovens que assistiu recentemente o filme Jesus. Vou chamá-lo de Assis de agora em diante. Ele tem 23 anos e possui ascendência árabe. Sua família é muito comprometida com o Islamismo. Mesmo assim, Assis tem demonstrado interesse em conhecer a Verdade e chegou a sonhar que se tornava um seguidor do Caminho e que era expulso de casa. Há muito tempo quando ele estava fazendo as suas obrigações religiosas, ele teve a visão de uma cruz na sua frente. Assis ficou impressionado com a sabedoria e autoridade com que Jotta lhe explicava sobre a Verdade. Ele elogiou várias vezes a clareza com que Jotta o fazia. Enquanto Jotta me compartilhava essa experiência vivida com Assis, eu estava orando em espírito para que o Espírito Santo trabalhasse em seu coração.

Dentro de pouco tempo partirei do lugar onde Jotta vive, já completou cinco meses que estou nessa cidadezinha. Esses dias estou morado sozinho, porque o meu companheiro de equipe casou-se e foi morar em outra cidade por um tempo. Foi interessante a forma como Deus me trouxe a este lugar. Parei aqui por “acaso”, pois a proposta inicial era que eu fosse trabalhar em outra região. O plano inicial não deu certo, então fui comissionado para atuar entre o povo Layu (nome modificado). Confesso que a princípio o meu coração não estava neste negócio. Muitas vezes cheguei a perguntar o que eu estava fazendo aqui, pois eu não via uma forma de trabalhar. Existe um controle social muito forte para que o povo Layu não seja evangelizado. Com o passar dos dias foi que entendi que o Pai havia me trazido aqui por causa do Jotta. Ele sentia-se muito só e não tinha com quem orar e estudar a Palavra. Contudo, agora sinto que cumpri o meu dever pelo menos por esse momento. Além disso, muitas pessoas da cidade já estão começando a questionar sobre minhas reais intenções neste lugar. Embora eu tenha me identificado como um estudante transcultural, para muitos não faz o menor sentido eu sair de um país como o Brasil para morar numa pequena cidade deste país.

Peregrino no Sudeste Asiático

 

 

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