Quem nunca leu uma matéria sobre Povos Não Alcançados e sentiu uma distância enorme de sua realidade? Infelizmente isso é muito comum. Por esse e outros motivos é muito importante, cada vez mais, levantarmos esse assunto. Desta vez vamos ler sobre as experiências do missionário Tiago, que nos traz um relato interessante que desmistifica um pouco das histórias dos povos asiáticos com quem interage e o andamento do trabalho evangelístico naquelas terras.

Os karens são um grupo étnico formado por diversas comunidades nativas do Sudeste Asiático. Suas populações se concentram em Mianmar (antiga Birmânia), onde reside a maior parte deles, cerca de 3,5 milhões de pessoas, e na Tailândia, com 400 mil indivíduos. Eles vivem principalmente em vilarejos nas montanhas no estado de Kayin, na Região Leste de Mianmar e são a terceira maior etnia do país, depois dos birmaneses e dos shan. Na Tailândia, os karens, embora em menor número, representam a maioria dos chamados povos das montanhas do país. As religiões predominantes entre os karens são: budistateravada, animismo, catolicismo e protestantismo.

No final da década de 1980 e início da década de 1990, devido ao conflito com o regime militar de Mianmar, muitas tribos fugiram para áreas de fronteira na Tailândia. Uma destas tribos é o povo Padaung, muitos deles são imigrantes ilegais no país e encontraram no turismo uma maneira de subsistência.

Nesse momento estamos em uma expedição de reconhecimento de campo e novas parcerias para o trabalho missionário no Sudeste Asiático, em uma rápida passagem pela Tailândia na região norte  do país junto à fronteira com Mianmar, estivemos em um vilarejo do povo padaung, eles são um dos vários subgrupos da etnia Karen, popularmente conhecidos como “longnecktribe” (tribo do pescoço longo). Ao contrário do que muitos pensam e seu popular nome sugere, as mulheres padaungs não tem seu pescoço alongado, isso não passa de uma ilusão visual, os anéis de cobre usados no pescoço pressionam a clavícula e costelas para baixo e isso nos dá a ilusão de um pescoço longo.

Na cultura local, as mulheres da tribo, em sinal de beleza, desde jovens, usam estes anéis no pescoço. Quanto mais alto o pescoço, mais bela é a mulher. Apesar do que se pensa, as mulheres não morrem se os anéis forem retirados (elas costumam fazer isso para se lavar), mas a musculatura do pescoço é enfraquecida, existem outras teorias, duas delas são que passaram a usar os anéis de cobre para se proteger de ataques de tigres na floresta, já a outra diz que se uma mulher traísse seu marido o mesmo tirava os anéis do pescoço  de sua parceira e a mulher era obrigada a viver deitada por não ter mais força no pescoço, o povo se orgulha em dizer que a taxa de adultério entre eles é quase zero.

Algo que nos surpreendeu ao conhecer esta tribo e a região norte da Tailândia e fronteira com Mianmar é que há grandes portas abertas para o envio de missionários para a região. Tailândia tem uma grande população budista e carece de trabalhadores preparados e que demonstrem amar e viver o evangelho, aqui não vale muito o discurso e sim a prática.

Ao falar sobre Mianmar o coração até bate mais forte, pois este é um país que por anos viveu uma ditadura militar intensa e cruel e muitas comunidades minoritárias e principalmente os cristãos sofreram e ainda sofrem atrocidades e forte perseguição. Para minha surpresa conheci uma família que trabalha com um grupo de ex militares norte-americanos que se converteram e agora trabalham na fronteira do país resgatando e dando apoio a estas comunidades a fugir dos ataques e crueldade dos grupos armados, inclusive o filme Rambo 4 foi inspirado em um destes missionários.

Conhecemos também um grupo de brasileiros que servem nesta região da fronteira e trabalham incansavelmente para compartilhar Cristo e fazer discípulos, porém, os desafios de Mianmar são gigantescos e os trabalhadores são poucos.

Neste país, que no passado recebeu a tradução da Bíblia através do trabalho árduo de um missionário chamado Adoniram Judson, que sofreu aprisionamento, torturas, perdeu esposa e filha e por mais de 20 anos trabalhou de forma árdua para tal tarefa, seu legado foi a Bíblia na língua do povo birmanês e muitos salvos ali naquela região.

O governo ditatorial de Mianmar tem sido enfraquecido e hoje existe uma abertura maior para trabalhar no país, temos clamado ao Senhor da Seara por trabalhadores para a grande colheita.

budismo

Em nossos dias vemos os desafios e grandes oportunidades para proclamar as boas novas desalvação em Mianmar, e oramos por um despertamento e grande compromisso da igreja brasileira para a tarefa de proclamar as boas novas para os povos da terra.

 

Tiago Medeiros – 2015

Tiago Medeiros e Bárbara 
 Líderes no Centro de Treinamento e Apoio Missionário, uma agência que nasceu com o objetivo de servir as igrejas e fortalece-las em seu envolvimento com missões e alcançe dos povos sem acesso as boas novas na terra.
No momentos estão no Sudeste Asiático em uma viagem para conhecer as necessidades, formas de trabalhos  e parcerias para o envio de outros brasileiros e latinos que passarão pelo treinamento missionario da Missão CTAM.
Conheça mais: www.ctamweb.org

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