A Missio Dei (“missão de Deus”) – ser glorificado entre todos os povos por meio da salvação individual de pessoas – é para todo o corpo de Cristo, não apenas para parte dele, alguns “escolhidos” para o serviço. Essa visão errônea, tem trazido um desserviço à missio Dei, por meio de uma estrutura que promove a passividade dos “não chamados”. A dicotomia (separação do sagrado e santo), faz com que muitas pessoas considerem santo a atuação ‘dentro da Igreja’, sendo que o Senhor espera que todas as esferas que estivermos inseridos (fazenda, lei, indústria, empresa, sistema bancário, jornalismo, atuação com excluídos, educação etc, sejam alcançados pelo Evangelho, se tornando campo de atuação ministerial.

O princípio é holístico que procura trazer todos os aspectos da vida e do ministério a uma unidade orgânica e bíblica. Infelizmente o evangelismo e as questões sociais, para muitos, ainda são tratados como assuntos separados sem relação um com o outro.

Dentro da perspectiva bíblica encontramos várias vertentes que nos leva a entendermos os movimentos da Igreja em Missões, e o Evangelho Integral muito defendida por Valdir Steuernage, as questões raciais e sociais com Ariovaldo Ramos, como exemplos dessas vertentes, tem como objetivo através de suas crenças efetivar a visão estratégica de missões, compreendida no Pacto de Lausanne, que no Brasil denominamos de Teologia da Missão Integral.

A Missão Integral foi um movimento de caráter evangélico que imaginava o homem como um ser integral, completo, que possui necessidades. Para os teólogos e missiólogos latino-americanos que lideravam este movimento na década de 70, pregar o evangelho às pessoas não era o suficiente. Era preciso encontrar soluções para o mundo que sofria e sofre, ainda hoje, com a fome e doenças. Naquela época acontecia uma “luta” com a tradição do evangelho, restrito só ao lado espiritual e capitalista, sem compromisso com a verdadeira situação do planeta.

A Missão Integral trabalha com a responsabilidade social e a solidariedade com o próximo, nas áreas: emocional, material e política. Para o Centro Evangélico de Missões (CEM), que oferece cursos de Missão Integral, que é conceituado como “o serviço ao nosso próximo em todas as dimensões de sua vida”. O CEM acredita que o ser humano em suas comunidades não só precisa ouvir e responder ao evangelho da salvação, mas que o Evangelho atinge e transforma o ser humano todo.

Mas, a Teologia da Missão Integral divide opiniões. Há quem diga que a mesma possui um fundo marxista e apenas de caráter social, não evangelizador. Em entrevista ao programa “Academia em Debate”, o mestre em Teologia Filosófica, Felipe Fontes disse: “A gente houve dizer comumente que a Teologia da Missão Integral seria nada mais do que uma espécie de Marxismo disfarçado. Eu creio que essa crítica pesa indevidamente à mão, contudo, creio que há inúmeras aproximações e semelhanças entre a Missão Integral e o Materialismo Histórico, que nos permitiria falar em alguma relação real entre as duas coisas”, disse Felipe, que também é professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Ele acredita que as semelhanças se encontram nos aspectos históricos, metodológicos e linguístico.

Já Renato Vargas, do Púlpito Cristão, diz que “Alguns dos promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Quer auxiliar o pobre? O faça. Quer alimentar aos famintos? Aleluia! Quer socorrer os miseráveis? Bendito seja o Senhor! Agora, não esqueça que TUDO isso sem Cristo e sem a mensagem que confronta o pecador inviabiliza a pregação. Ressalto também que a rica tradição da igreja com hospitais, escolas, universidades, organizações humanitárias nos ensina que não existe necessidade de divorciar a pregação do evangelho com o socorro ao necessitado, todavia não podemos e nem temos autoridade da parte de Deus para fazermos da Igreja uma ONG”, disse Renato.

René Padilla, Samuel Escobar, Pedro Arana e Valdir Steuernagel foram figuras importantes do movimento de Missão Integral de 70, que tinha como lema “O Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”. Usada como resumo ao Congresso Mundial de Evangelização realizado, em 1974, na cidade de Lausanne, na Suíça, que repaginou o cenário de evangelização mundial.

 

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